Que sensação estranha é essa?
E no meio de tanta gente
Tantas conversas
Tantos risos e barulhos
Você sentir, de repente,
Que está em outro planeta
Pensando coisas diferentes
Pensando em coisas boas
Pensando estar feliz em outro lugar
Em outras companhias
Fazendo o que gosta
Que vontade de levantar e sair
Sair por aí
Andar, andar
Ver o mundo que ninguém vê
Pequenos detalhes nas construções
As poucas flores pelo caminho
Olhar as pessoas
Tentar adivinhar o que elas pensam
Olhar para o céu, para o infinito
E me sentir menor que um grão de areia
Por que sou assim?
Por que não me satisfaço com conversas tolas
Por que levo tudo muito a sério
Não consigo relaxar
E, se relaxo, eu me cobro o fazer
O fazer com perfeição
Me sinto mal quando erro
Onde foi que comecei a ser assim?
Dizem que errar é humano
Já nasci assim?
Ou a vida dura me deixou assim.
Será que foram as muitas lutas?
Será que para conquistar tive que abdicar?
Abdicar de ser eu mesma?
Será que o ter suplantou muito o ser?
Só pode.
Hoje o saldo é positivo?
No aspecto ter é positivo
Mas no ser não.
Ando insatisfeita.
Quero o simples
Quero menos preocupação
Quero viver o que um dia deixei de lado
Não quero viver de amarguras
Quero me dar um chance
De ser feliz comigo mesma
Hora de alguém me dizer
Vixe mulher, a vida é assim.
Todo muito tem o seu dia de sozinho na multidão.
E eu volto a me questionar.
Será utopia o que eu quero?
Serei uma eterna insatisfeita?
Não sei, mas alguma coisa está mudando em mim
Já falo e não guardo coisas para mim
Já consigo dizer que não sou feliz
Já consigo dizer que não quero mais
Jã consigo sair dessa bolha por uns momentos
Muitos se espantam quando digo o que não quero mais
Será que sabem o que é viver de aparências?
E eu sei que, como eu, muitos vivem
E é horrível.
Uma eterna vigilância.
Mas eu encontrei uma saída
Eu encontrei as palavras escritas.
De forma subentendida, clara ou direta
E encontrei coragem para expor essas palavras.
Já não me sinto só
Alguém vai ler e me escutar.
Deixarei de ser só no meio da multidão.
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