segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O Tabuleiro do Ser

 

O Tabuleiro do Ser

Cada um é cada um,

Assim o mundo é.

Nada muda?

Sabemos de verdade quem somos?

E o que é o melhor para nós?

Instinto ou Intuição?

De onde vieste?

E para onde queres ir?

Vai e volta?

Ou fica num eterno loop?

Crie coragem para falar

E diga o que quer de verdade.

Seja você.

A vida também é um jogo,

Mas não seja o que sempre perde.

Vire o tabuleiro da sua vida.

Tudo passa e só ficam lembranças.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Os abacaxis da vida



Foi no meio do almoço, entre a lentilha, passas  e uma fatia generosa de abacaxi, que o pensamento veio. A fruta estava doce, no ponto certo, e fez aquele contraste perfeito com o sal do prato. Um equilíbrio que meu marido dispensa, mas que eu chamo de harmonia de sabores.


Normalmente pensamos no processo simples: comprar, descascar, fatiar e comer.

A expectativa é quase sempre a mesma: não nos machucarmos ao retirar a coroa espinhenta e, depois, consumir uma fruta doce 


Enquanto mastigava, pensei em como costumamos simplificar demais a ideia de “descascar um abacaxi”. 

Mas… e na vida?

O que seria descascar um abacaxi?


Comprar?

Na minha modesta opinião, na maioria das vezes não compramos abacaxis — nós os recebemos. Seja na vida pessoal, seja no ambiente de trabalho.


Descascamos?

Sim. Procuramos descascar logo, retirando primeiro, de alguma forma, a coroa espinhenta. Depois, pouco a pouco, vamos removendo as cascas e aqueles pequenos “olhinhos” que insistem em ficar.


Fatiamos?

Fatiar os abacaxis da vida pode ser complicado. Às vezes depende da ajuda de terceiros; outras vezes, não. Há situações em que a missão não pode ser compartilhada — como certos trabalhos que exigem a nossa expertise ou problemas cuja solução só nós podemos dar.


Comemos?

Sim, comemos.


Sozinhos?

Nem sempre. Muitas pessoas se aproveitam do fato de que a parte mais difícil já foi feita e chegam apenas para degustar as fatias. Algumas ainda dizem que foram elas que “descascaram” o abacaxi.


E como obter fatias realmente dulcíssimas?

Talvez poucos percebam que, entre receber o abacaxi e descascá-lo, é preciso respeitar o tempo de amadurecimento. Esse tempo faz toda a diferença: menos acidez, mais doçura.


O abacaxi que comi hoje no almoço amadureceu no tempo certo. Ele trouxe equilíbrio à minha refeição, misturando o doce e uma leve acidez da fruta com o sal dos outros alimentos. Foi um momento simples e prazeroso.


Descascar os abacaxis da vida é isso:

olhar com atenção para a “fruta”, perceber se ela precisa amadurecer e, ao final do processo — só ou acompanhado — poder, enfim, saborear as fatias doces.

Ponto final



O que significa, de verdade, um ponto final?

Pode-se continuar depois dele?


Na definição gramatical, o ponto final indica a finalização de um período ou uma pausa absoluta.

Mas e na vida real, como seria?


Quantos pontos finais nossa vida tem?


A morte é um ponto final?

O fim de um casamento é um ponto final?

A aposentadoria é um ponto final?

O fim de um relacionamento amoroso é um ponto final?

A quebra de confiança leva a um ponto final?

Mentiras levam a um ponto final?


A vida é feita de vários pontos finais. Encerramos períodos, ciclos e fases ao longo do tempo. Nem todo ponto final significa esquecimento, mas todo ponto final exige mudança.


O ponto final representa um afastamento total?

Significa que nada será como antes?


Ao nos aposentarmos, damos um ponto final em parte da nossa vida profissional. Ainda assim, permanecem as amizades e o companheirismo construídos ao longo dos anos. Esses laços, muitas vezes, não têm ponto final. Continuam, mesmo que com menos encontros presenciais. A internet, inclusive, ajuda a manter essas conexões vivas.


O fim de um casamento, na maioria das vezes, é um ponto final mais definitivo. Não há volta. O casal deixa de existir, os sentimentos se transformam ou esfriam.

Quando há filhos, esse ponto final se torna mais parecido com uma pausa. O vínculo permanece, o elo continua, ainda que em outro formato.


O fim de um relacionamento amoroso — legal ou ilegal — mesmo sem o compromisso formal do casamento, também é um ponto final. Dói, marca, encerra uma história.


Alguns pontos finais são especialmente dolorosos e permanecem na memória de quem não se conforma com o fim. Muitas tragédias nascem desse inconformismo e de conflitos mal resolvidos entre as partes.


Por isso, um ponto final em relacionamentos pessoais precisa ser bem conversado.

Exige afastamento? Sim. E isso é natural. A vida precisa continuar. Recomeços são necessários. O passado não volta.


Quebras de confiança e mentiras frequentemente levam a pontos finais. Elas geram mágoas, ressentimentos e decepções. Quando se perde a credibilidade de alguém, tudo muda. Pode até haver perdão, mas o esquecimento raramente acontece.


E o ponto final relacionado à morte?


Para quem parte, é o fim derradeiro daquela vida.

Para quem fica, é a necessidade de recomeçar sem quem se foi.


Para quem acredita na reencarnação, a morte é apenas uma pausa. O que foi vivido faz parte de aprendizados e da evolução espiritual. Um dia, se volta.